Richard Simonetti - PORQUE MORREM AS FLORES

PORQUE MORREM AS FLORES

Richard Simonetti

richardsimonetti@uol.com.br

 Não há lugar para o acaso na existência humana.

Deus não é um jogador de dados a distribuir alegria e tristeza, felicidade e infelicidade, saúde e enfermidade, vida e morte, aleatoriamente.

Existem leis instituídas pelo Criador que disciplinam a evolução de Suas criaturas, oferecendo-lhes experiências compatíveis com suas necessidades.

Uma delas é a Reencarnação, a determinar que vivamos múltiplas existências na carne, quais alunos internados num educandário, periodicamente, para aprendizado específico.

O conhecimento reencarnatório nos permite desvendar os intrincados problemas do Destino. Deus sabe o que faz quando alguém retorna à Espiritualidade em plena floração infantil.

Um exemplo, dentre muitos: suicidas que reencarnam para jornada breve.

Sua frustração, após longos e trabalhosos preparativos para o mergulho na carne, os ajudará a valorizar a existência humana e a superar a tendência de fugir de seus problemas com o auto aniquilamento.

Ao mesmo tempo, o contato com a matéria representará um benéfico tratamento para os desajustes perispirituais provocados pelo tresloucado gesto.

Crianças portadoras de graves problemas congênitos, que culminam com a desencarnação, enquadram-se, não raro, nessa condição.

Poderão, se oportuno, reencarnar na mesma família, passado algum tempo, em melhores condições de saúde e com ampla disposição para enfrentar a provações da Terra.

 Não raro, o filho que nasce após a morte de um irmão revela idêntico padrão de comportamento, com as mesmas reações e tendências.

“É igualzinho ao irmão que faleceu!” − comentam os familiares.

Igualzinho, não!

É ele próprio de retorno para novo aprendizado...

Há, também, Espíritos evoluídos que reencarnam com o propósito de despertar impulsos de espiritualidade em velhos afeiçoados, seus pais e irmãos, ajudando-os a superar o imediatismo da vida terrestre.

Situam-se por crianças adoráveis, em face de sua posição evolutiva, extremamente simpáticas, inteligentes e amorosas.

 Os pais consagram-lhes extremado afeto, elegendo-as como principal motivação existencial. Sua desencarnação deixa-os perplexos, traumatizados.

Todavia, à medida que emergem da lassidão e do desespero, experimentam abençoado desencanto das futilidades humanas e sentem o despertar de insuspeitada vocação para a religiosidade, no que são estimulados pelos próprios filhos que, invisíveis ao seu olhar, falam-lhes na intimidade do coração, na sintonia da saudade.

Os que se debruçam sobre o esquife de uma criança muito amada compreenderão um dia que a separação de hoje faz parte de um programa de maturação espiritual que lhes ensejará uma união mais íntima, uma felicidade mais ampla e duradoura no glorioso reencontro que inelutavelmente ocorrerá.