Sidney Fernandes - Morrendo de sede, dentro d’água

 Morrendo de sede, dentro d’água 

Sidney Fernandes – 1948@uol.com.br

A fé sincera é ginástica do Espírito. Quem não a exercitar de algum modo, na Terra, preferindo deliberadamente a negação injustificável, encontrar-se-á, mais tarde, sem movimento.

André Luiz, Os Mensageiros

E possível morrer de sede dentro da água potável? Richard Simonetti afirma que sim, em seu artigoOração, quando diz:

 Imagine, leitor amigo, que você está dentro de uma piscina. Não obstante, morrerá de sede se não tomar elementar providência – abrir a boca.

Ele se refere, naturalmente, ao nosso descaso para com as preciosas oportunidades e bênçãos que Deus coloca à nossa disposição.

São exemplos dessas bênçãos as intuições, os avisos espirituais, a potencialização de nossos sentidos e os sonhos premonitórios, fenômenos citados por Allan Kardec na questão 455, de O Livro dos Espíritos, que nos são oferecidos de bandeja pelo Plano Superior.

Essas dicas do Alto dependem de como está a nossa sintonia com o plano espiritual. Há circunstâncias em que os protetores querem nos ajudar com seus conselhos, que são, todavia, por nós desprezados. Não damos bola para os avisos, não os aproveitamos, o que às vezes nos provoca desgostos, que teriam sido evitados se os houvéssemos escutado (Final da resposta 524, de O Livro dos Espíritos).

Situação similar ocorre com a plena assimilação dos benefícios do passe espírita. Algumas condições são requeridas:

– ambiente adequado: salvo exceções, o passe deve ser aplicado no centro espírita, local naturalmente protegido pela espiritualidade;

– mentores espirituais: a natureza de nossas expectativas definirá quem atenderá aos nossos apelos. Nem sempre o que desejamos é o ideal para a nossa economia espiritual. Confiemos nos bons Espíritos. Eles sabem o que é melhor para nós;

– preparação do passista: é necessário que o vaso esteja higienizado para que os fluidos da espiritualidade cheguem puros até nós;

         Pronto! Tudo preparado para que a eficiência do passe espírita seja plena?

Quase tudo, ainda falta alguma coisa:

         — harmonização: quem vai receber o passe deve estar harmonizado com a disposição da espiritualidade em nos auxiliar! É sincero o nosso desejo de transformação interior? Estendemos realmente nossas antenas espirituais com a nossa elevação mental? Estamos dando o necessário suporte para que se concretizem as transferências fluídicas?

Por isso falam os Espíritos da atenção que merecem o ambiente familiar, a vida profissional, bem como a posição mental e o estado espiritual do paciente. Sem uma perfeita harmonização desses elementos, às vezes o plano espiritual até tem autorização para aliviar as dores do paciente, mas se vê impossibilitado de fazê-lo, pela falta de condições operacionais para a transmissão, tanto do magnetismo humano, quanto dos fluidos espirituais.

Tudo preparado, tudo à mão, menos o principal: a participação do paciente que pode morrer de sede, com a água à disposição.

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No capítulo denominado Os que dormem, do livro Os Mensageiros, André Luiz descreve uma incrível experiência. Acompanhando o mentor Aniceto, descobre pavilhões em que estão recolhidos quase dois mil desencarnados, adormecidos, como se fossem múmias perfeitas, em sono atormentado. Descreve a cena como avançada imagem da morte.

Na terra, foram homens e mulheres que nunca se entregaram ao bem ativo e renovador. Não obstante as preciosas orientações de suas crenças religiosas, nunca as levaram a sério.

Eram criaturas plenamente conscientes e informadas de suas obrigações espirituais, que teimaram em desperdiçar preciosas oportunidades que lhe foram oferecidas. Permanecem paralíticos, porque preferiram a rigidez, ao entendimento.

Quando acordarão para as realidades espirituais? Quando pagarão pelos débitos contraídos? Só o tempo dirá…

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Espírita que não progride durante três anos sucessivos, permanece estacionário, diz André Luiz, em seu livro Opinião Espírita, em página psicografada por Waldo Vieira.

O rótulo de Espírita não nos concede qualquer tipo de privilégio. Ao contrário, partindo do princípio de que muito será pedido a quem muito foi dado, as luzes da Doutrina Espírita apenas nos conferem maior responsabilidade.

Muitos de nós estamos dormindo, achando que já estamos salvos, apenas por esposarmos os princípios redentores do Espiritismo. Não basta! É preciso exercitar a fé que professamos, tornando-a a coisa mais importante de nossa vida. É preciso que ela norteie todos os momentos da existência.

Difícil? Sim, porém não impossível. Necessário? Indispensável! Sob pena de também nós, futuramente, candidatarmo-nos a profundo repouso, antes do despertamento para o exame de nossas responsabilidades.