4ª (última) parte - Atrasados, primitivos ou degenerados?

Atrasados, primitivos ou degenerados? – QUARTA (última) PARTE

Sidney Fernandes

1948@uol.com.br

Estava eu em ciclo de palestras pela região de São José do Rio Preto quando, em pequena cidade, conheci uma criança de tenra idade. O seu parto foi envolto por cuidados muito especiais e teve que ser realizado em hospital especializado da cidade de São Paulo. Assim que se liberou do útero materno, o bebê foi encaminhado imediatamente para cirurgia cardíaca, sob pena de não sobreviver.

Do nascimento até a data que conheci o menino, ele já havia passado por inúmeras intervenções. Futuramente precisará, provavelmente, submeter-se a transplante cardíaco.

Por que aquela criança alegre, inteligente e simpática teve que passar por tantas dores e talvez ainda tivesse que se submeter a novo tratamento para adquirir normalidade funcional?

Se fôssemos, por hipótese, admitir que sua alma tivesse nascido com seu corpo, como justificar semelhantes anomalias? O que as filosofias e religiões podem argumentar para justificar esse fato? Que fez aquela alma, que acaba de sair das mãos do criador, para entrar neste mundo com tantos sofrimentos, se ainda nada fez para justificar aquelas dores?

Surge a Doutrina Espírita para, magistralmente, nos lembrar que todo efeito tem uma causa.  E se essa causa não pode ser encontrada na vida atual, com certeza, precisará ser procurada em vida anterior à esta.

Se somos punidos, é que fizemos o mal. Se esse mal não o fizemos na presente vida, tê-lo-emos feito noutra — anota Allan Kardec, no capítulo V, de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

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Encerramos este artigo com a preciosa síntese contida no final da questão 964, de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec:

Todas as nossas ações estão submetidas às leis de Deus. Nenhuma há, por mais insignificante que nos pareça, que não possa ser uma violação daquelas leis. Se sofremos as consequências dessa violação, só podemos nos queixar de nós mesmos, únicos responsáveis por nossa felicidade ou infelicidade futura.

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Afinal, quem somos?

Espíritos atrasados, primitivos ou degenerados?

Roguemos a Deus e aos bons Espíritos que nos conduzam para o caminho da redenção, arrependidos do passado culposo.

Oxalá cada um de nós já possa dizer, em alto e bom som:

— Perdoe-me, Pai, porque pequei. Faça-se em mim a sua vontade para que eu, definitivamente, aprenda a seguir suas leis, porque me distanciei dos objetivos da criação.

— Que eu considere as dores por que ainda terei que passar como necessárias, para que sejam apagadas as manchas do meu passado.

— Dê-me coragem, Senhor, para valorizar, sem murmúrio e com resignação, a abençoada oportunidade da vida, que hoje tenho à disposição, para merecer o abrandamento de minhas dores.

— Que eu possa, finalmente Senhor, provar a sinceridade do arrependimento de minhas faltas, vivendo plenamente o seu Evangelho, em todos os dias da minha vida. E dessa forma, ao fim do meu exílio terrestre, possa o mundo dos Espíritos se abrir para minha nova vida.

FIM