Sidney Fernandes - O exemplo de Manoel Saad

O exemplo de Manoel Saad

Sidney Fernandes

1948@uol.com.br

Eu estava assistindo a um vídeo, muito antigo, da Câmara Municipal de Marília, buscando mais dados sobre Manoel Saad, para citar em meu novo livro.

Trata-se de uma entrevista histórica, que nos faz refletir sobre a grandeza e a generosidade de coração desse homem que se intitulava orientador, tendo, todavia, dado assistência e cura a centenas de pessoas.

No decorrer dos mais de quarenta anos de trabalho no Centro Espírita Luz e Verdade e no Hospital Espírita de Marília, fazia diagnósticos de comportamento, prestava esclarecimento e ajuda, como verdadeiro intermediário de equipes espirituais que acompanhavam seu trabalho.

Tinha uma mediunidade extraordinária. Desde pequeno, manifestou-se nele o dom de radiografar as pessoas, detectando, sem uso de qualquer aparelho, os males que acometiam seus órgãos.

Conseguia identificar manchas que envolviam as regiões enfermas, vendo os locais perispirituais lesados, herdados, no mais das vezes, de vidas anteriores, responsáveis pelas doenças materiais dos doentes que o procuravam.

A partir daí passava a orientar o comportamento desses sofredores, buscando encaminhá-los para a renovação interior, em busca da cura definitiva.

Ele mesmo, dizia, não registrava em qualquer lugar seus diagnósticos. Os próprios pacientes, todavia, possuem um registro mental próprio. Se ele era consultado em determinada época, sugeria determinado tipo de comportamento ou mudança de atitude, e, se suas recomendações não eram plenamente seguidas, quando o consulente voltava recebia exatamente a mesma orientação do contato anterior.

Percebia, descreve nesse vídeo, que não havia ocorrido qualquer evolução. O paciente continuava com o mesmo diagnóstico.

Intermediário da espiritualidade, passava o recado que viabilizaria a melhora do paciente. O resto era com o próprio doente.

Quando eu estava assistindo ao vídeo, gravado há mais de vinte anos, em uma mesa rodeada de companheiros, com câmera e microfone, acompanhando sua entrevista, percebi que de repente tudo parou.

Um irmão cego, sem saber exatamente o que estava acontecendo, interrompeu o trabalho, numa demonstração de alheamento e irresponsabilidade que irritou a todos que ali estavam. Eu mesmo, espectador, fiquei indignado com a falta de sensibilidade do senhor que o procurou naquele momento.

A serenidade, a paciência e o carinho com que Manoel tratou o inoportuno foi e é até hoje uma lição de vida, para quem venha a assistir à gravação.

Todos estavam irritados com o deficiente visual irresponsável, menos ele, que deu atenção, carinho e todo amor que faltou para todos nós, que acompanhávamos a histórica entrevista.

Manoel era um desses espíritos elevados, revestido do amor que ainda nos falta, com a humildade característica de criaturas de alta envergadura espiritual.

O próprio irmão que interrompeu os trabalhos percebeu sua inconveniente interrupção e se afastou discretamente.

Manoel Saad não apenas esclarecia, ajudava, curava e fazia preciosos diagnósticos de comportamento. Dava preciosos exemplos de paciência.

Em precioso artigo sobre o assunto, Richard Simonetti cita Chico Xavier:

 … a paciência é um remédio que precisamos tomar todos os dias, de preferência em jejum, pela manhã, mesmo que nos pareça não precisarmos dele.

Afirma ainda que a paciência é uma espécie de hormônio espiritual que garante nossa estabilidade física e psíquica. Somos carentes de paciência.

Não era o caso de Manoel, que tomava doses de paciência diariamente, com cultivo da reflexão, injetando-a em suas veias espirituais. Com isso, os confrades de Marília testemunharam o cumprimento rigoroso de seus deveres para com o próximo, o que o habilitou a aproveitar integralmente as oportunidades de edificação que Deus, providencialmente, lhe concedeu nessa experiência reencarnatória.